Do Direito Corporativo à Liderança em Impacto Social e Tecnologia
Celebramos o Julho das Pretas com a trajetória inspiradora de Cecília Dutra. Conheça sua transição do jurídico para a tecnologia e sua liderança na WoMakersCode por um futuro mais inclusivo.
Edição WoMakersCode
Julho das Pretas
Um período para exaltar a luta, a potência e as conquistas das mulheres negras, que constroem diariamente novas possibilidades de existência, equidade e liderança. A data central desse mês, o 25 de Julho (Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha), marca a resistência histórica de tantas vozes que desafiam o racismo, o sexismo e as desigualdades estruturais.
Na WoMakersCode, acreditamos no poder da representatividade aliada à ação concreta. E é com orgulho que abrimos a nossa programação do Julho das Pretas com a história de uma mulher que representa essa força em movimento.
Nesta entrevista especial, convidamos Cecília Dutra, vice-presidente e gestora de projetos da WoMakersCode, para compartilhar sua trajetória marcada por propósito, inovação e coragem para transitar entre mundos. Com uma carreira consolidada na advocacia corporativa, ela decidiu dar um novo passo — deixando o mundo jurídico tradicional para assumir uma posição estratégica na WoMakersCode, e ajudar a transformar a vida de milhares de mulheres por meio da educação em tecnologia.
Combinando sua bagagem jurídica, experiência em grandes empresas como iFood e QuintoAndar e uma atuação consistente como voluntária na WoMakersCode, Cecília hoje lidera projetos que unem eficiência, empatia e impacto real.
Prepare-se para se inspirar com uma jornada que mostra como conhecimento técnico e sensibilidade social podem caminhar juntos na construção de um futuro mais justo e inclusivo e para conhecer a visão, os desafios e as inspirações dessa mulher que ao lado de Cynthia Zanoni está à frente da maior comunidade de mulheres em tecnologia do Brasil.
A transição da advocacia corporativa para a gestão de impacto social
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26 de fev. de 2026
Você construiu uma carreira sólida no mundo corporativo como advogada, passando por grandes startups como iFood e Quinto Andar. O que te motivou a fazer esse movimento de estar 100% dedicada a WoMakersCode, agora atuando como coordenadora de projetos?
Chegou um momento em que a WoMakersCode precisava de uma dedicação maior da minha parte para crescer e alcançar novos patamares. Mesmo estando muito bem na minha carreira jurídica, senti que dar esse passo era essencial para ajudar a organização a expandir seu impacto e apoiar mais mulheres.
Não foi fácil tomar essa decisão, porque atuar como advogada corporativa foi um sonho por muitos anos e dediquei muito esforço e estudo para prosperar na carreira jurídica. Brinco que não é uma transição definitiva, mas sim uma pausa sabática para dedicar meu tempo a esta causa que tem meu coração desde 2021.
Mas foi uma escolha feita com muito propósito, porque acredito com todo meu coração na missão da WoMakersCode e no poder transformador que a educação tem na vida das pessoas. Assumir esse compromisso 100% me permite contribuir de forma mais estratégica e efetiva para que a ONG continue crescendo e fazendo a diferença na vida de tantas mulheres.
A conexão com a WoMakersCode e o poder transformador da educação
Você iniciou como voluntária há muito tempo, passando pelo marketing, pela assessoria jurídica, se tornando vice-presidente e coordenadora de projetos. O que te mantém conectada à missão da ONG por todos esses anos? O que ainda pulsa tão forte quanto no início?
Acredito que antes de tudo, é legal contar a história de como eu me conectei com a WoMakersCode, inclusive, sempre que me apresento em reuniões com novos parceiros costumo contar essa história: em maio de 2021, conheci a ONG durante o programa Potencialize, organizado pela Fundação 1Bi e liderado pela querida Kelly Baptista. Era um programa de voluntariado corporativo em que colaboradores ajudavam a resolver desafios das instituições participantes. Naquela época, tive a oportunidade de apoiar a estruturação do primeiro estatuto da ONG e também contribuir com algumas ideias para impulsionar o marketing e a captação de recursos.
Teve tanta conexão, que em dezembro daquele mesmo ano, a Cynthia me convidou para liderar a squad de Marketing. Embora durante a faculdade eu tenha empreendido com algumas amigas em mídias sociais, aceitei o convite muito mais pela identificação com a missão da ONG do que pela minha experiência técnica.
Ao me tornar voluntária da WoMakersCode senti que, ainda que de forma indireta, eu poderia proporcionar que outras mulheres pudessem ter a vida transformada pela educação, assim como a minha também foi transformada. Isso porque a educação teve e tem um papel muito importante na minha vida. Vindo de uma família em que meu avô aprendeu a ler após os 60 anos e minha mãe só teve a oportunidade de finalizar o ensino médio quando eu já era adulta, conseguir cursar o nível superior foi uma conquista enorme.
Desde então, a paixão por promover inclusão por meio da educação só cresceu. A cada projeto, a cada história de superação que ouço e a cada mulher que me conta que teve a vida transformada após participar dos nossos cursos e formações, sinto que meu trabalho tem um propósito profundo. Essa conexão forte com a missão da WoMakersCode é o que me inspira a continuar dedicada, aprendendo e contribuindo para que a organização alcance ainda mais mulheres e gere impactos cada vez maiores.
Aplicando a experiência corporativa na gestão do terceiro setor
Como sua experiência no mundo corporativo contribui para a sua atuação hoje na WoMakersCode?
Minha experiência no mundo corporativo me ensinou muito sobre estrutura, eficiência e, principalmente, sobre como ser parceira das áreas que eu atendia. Sempre tive esse olhar colaborativo, buscando soluções práticas que realmente apoiassem o negócio. Isso é algo que levo comigo para a WoMakersCode todos os dias.
Ao longo da minha carreira, sempre busquei sair da “caixa do jurídico” e me conectar com outras áreas do conhecimento para aprimorar meu trabalho. Fiz um MBA em Gestão de Negócios, me aprofundei no uso de sistemas, ferramentas e metodologias de projetos, sempre com o objetivo de trazer inovação para os times dos quais fiz parte. Essa postura me ajuda hoje a pensar a gestão da ONG de forma mais estratégica, prática e orientada a resultados.
Entender os processos e dinâmicas de grandes empresas me dá uma visão mais realista e estruturada, o que contribui diretamente para a sustentabilidade dos nossos projetos. Busco constantemente aplicar esse olhar de maturidade organizacional para que a WoMakersCode possa crescer com consistência e gerar impacto duradouro.
Além disso, essa bagagem me dá mais sensibilidade quando nos conectamos com empresas parceiras. Consigo compreender melhor os tempos, as prioridades e os ciclos internos que muitas delas precisam para tirar um projeto do papel. Isso facilita o diálogo, fortalece as parcerias e contribui para entregas mais alinhadas com a realidade de cada organização.
O papel das empresas privadas na aceleração da diversidade em tecnologia
Na sua visão, qual é a importância das empresas privadas apoiarem iniciativas como a WoMakersCode? E de que forma esse tipo de parceria pode acelerar a inclusão de mais mulheres no mercado de tecnologia, especialmente em um cenário onde diversidade e inovação andam cada vez mais juntas?
As empresas privadas têm um papel fundamental na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Apoiar iniciativas como a WoMakersCode não é apenas uma ação de responsabilidade social, mas uma estratégia inteligente em um cenário onde diversidade e inovação andam lado a lado. Quando uma empresa decide investir em inclusão, ela está também investindo em soluções mais criativas, em equipes mais representativas e em uma cultura mais preparada para os desafios do futuro.
Essas parcerias ajudam a acelerar a entrada de mais mulheres no mercado de tecnologia de várias formas. Seja com apoio financeiro para manter os cursos gratuitos, seja com mentorias, contratações, doação de equipamentos ou apoio institucional, cada ação conta para ampliar o acesso e reduzir as barreiras que ainda existem para muitas mulheres.
Infelizmente, apesar de existirem leis de incentivo, o acesso a políticas públicas e recursos governamentais ainda é limitado, burocrático e muitas vezes não chega a quem mais precisa. É aí que o capital privado pode e deve atuar, direcionando investimentos de forma estratégica e com impacto social real. Além dos benefícios fiscais, esse tipo de apoio gera valor para a própria empresa, ao se posicionar como agente ativo de transformação na sociedade.
Além disso, quando uma empresa se aproxima da WoMakersCode, ela também aprende. Aprende sobre inclusão na prática, sobre escuta ativa, sobre como criar ambientes mais seguros e acolhedores. É uma troca rica, que fortalece tanto o terceiro setor quanto o setor privado. Por isso, acredito muito na importância dessas conexões e no quanto elas podem acelerar mudanças reais e profundas na sociedade como um todo.
O futuro da WoMakersCode: Rumo à "Universidade WoMakersCode"
Como você imagina a ONG daqui a 5 anos?
Eu imagino a WoMakersCode ainda mais estruturada, com um impacto ampliado e reconhecida como uma referência internacional em inclusão de mulheres na tecnologia. Quero ver a ONG alcançando mais regiões do Brasil e também expandindo suas iniciativas para outros países da América Latina, levando formação de qualidade e oportunidades reais para mulheres que historicamente foram deixadas à margem do mercado de trabalho.
E, se me permite sonhar alto, quem sabe daqui a cinco anos a gente não esteja falando da “Universidade WoMakersCode”?!
Um espaço gratuito, inclusivo e de excelência para formar mulheres em tecnologia, com trilhas completas de aprendizado, apoio psicológico, orientação de carreira e um ecossistema forte de empregabilidade.
Também imagino a WoMakersCode com parcerias ainda mais sólidas com o setor privado, com um modelo de sustentabilidade que permita investir continuamente em inovação, acolhimento e desenvolvimento das nossas alunas. Atuando lado a lado com empresas que acreditam de verdade na diversidade e investem com propósito. Uma organização madura, mas sem perder a essência de acolhimento, de escuta e de impacto real na vida das pessoas.
E o mais bonito seria olhar para trás e ver ex-alunas liderando times, mentorando outras mulheres e, quem sabe, até voltando como professoras nessa nossa futura “universidade”. Porque no fim, é sobre isso: transformar uma trajetória individual em um ciclo contínuo de transformação coletiva.
Recentemente, a WoMakersCode foi reconhecida pela Cisco como a academia que mais treinou mulheres em Cibersegurança no Brasil no ano de 2024.
Como é, para você, estar à frente dessa organização em um momento tão simbólico, e o que esse reconhecimento representa para a sua trajetória pessoal e profissional?
Receber esse reconhecimento da Cisco foi muito emocionante e simbólico para todas nós. Sabemos que existem muitas iniciativas sérias e dedicadas que focam em mulheres na tecnologia. Por isso, sermos destacadas nesse cenário torna esse reconhecimento ainda mais especial, reforçando a força do nosso trabalho coletivo e o impacto que estamos construindo.
Estar à frente da WoMakersCode neste momento é uma grande honra, mas também uma grande responsabilidade, pois mostra que preciso continuar com o bom trabalho para que possamos seguir avançando. E tudo isso é fruto do trabalho e dedicação incansável da Cynthia, que todos os dias busca formas de ampliar nosso impacto, cuidando da ONG como se fosse uma filha. Muito do que conquistamos até hoje vem dos sonhos e do esforço dela, da equipe interna que trabalha diariamente para fazer tudo acontecer e das voluntárias que doam seu tempo e conhecimento para tornar a WoMakersCode possível.
Vindo de uma realidade em que o acesso à educação não foi fácil, estar liderando uma organização que transforma vidas por meio da educação me enche de orgulho e alegria. Mais do que isso, mostra que quando mulheres se unem com propósito e consistência, conseguimos transformar realidades e abrir caminhos para muitas outras
Qual é o seu conselho para mulheres que estão começando agora na tecnologia e sentem medo de dar o primeiro passo? Que palavras você gostaria de ter ouvido quando começou a sua própria jornada?
Meu conselho é: comece da maneira que puder e vá evoluindo degrau por degrau. Nem sempre teremos todas as condições ideais na vida, mas isso não pode ser motivo para deixar de agir. Na minha jornada, a cada curso, graduação ou novo conhecimento que eu adquiri, sempre pensei qual seria o próximo passo que eu poderia dar com aquilo.
Eu não costumo contar muito sobre isso, mas aos 18 anos já sabia que meus pais não poderiam pagar minha faculdade, por isso, comecei a prestar concursos públicos. Aos 20 anos, passei em um para ser faxineira. Trabalhei por dois anos, paguei minha primeira graduação e, graças à faculdade que pude bancar com esse emprego, antes mesmo de finalizar o curso, passei em outro concurso. Aos 22, já atuava como analista de RH. Aos 25, me desafiei a cursar Direito. Tive oportunidades incríveis, como estagiar na Petrobras e na Secretaria de Finanças em Santos. Aos 29, entrei no programa de estágio de uma grande holding brasileira, sendo trainee em uma de suas startups. Comecei como assistente e, quatro anos depois, me tornei especialista.
Se eu tivesse ficado parada com medo das dificuldades, onde será que eu estaria agora? Será que eu teria avançado tanto? Será que eu teria conhecido a WoMakersCode? Por isso, mesmo com medo, tive coragem de mudar minha realidade e sempre pensei em como chegar ao próximo degrau. Esse é um ciclo que nunca para. Hoje, meu maior medo não é errar, mas sim não chegar ao próximo nível por medo de arriscar.
Então, meu recado é este: tenha coragem para dar o primeiro passo, mas faça isso com intencionalidade. Em cada degrau que você subir, pare para pensar para onde aquele passo pode te levar. Não avance apenas por avançar, mas construa sua trajetória com propósito e consciência. Cada escolha importa, e você vai construir seu caminho no seu tempo, com seu ritmo. Lembre-se também que os caminhos são diferentes para cada pessoa, mas não deixe de seguir em frente, sempre olhando para o próximo degrau.
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