
Luma Beserra construiu sua carreira na interseção entre código e responsabilidade social. Desenvolvedora sênior na ADP Brazil Labs, ela passou pelos últimos anos em empresas que moldaram a cultura de engenharia de software no Brasil, antes de chegar a uma das maiores plataformas globais de tecnologia em RH.
Formada em Ciência da Computação pela UFRGS, ela não separou a trajetória técnica do engajamento com diversidade de gênero na computação. Nesta entrevista, Luma fala sobre carreira, mercado e o que ainda precisa mudar de verdade.
Você construiu sua carreira em empresas como DBServer, ThoughtWorks e ADP — empresas com culturas e modelos de trabalho bem distintos. O que cada uma dessas experiências te ensinou sobre o que realmente significa ser uma desenvolvedora no Brasil?
Eu diria que tive bastante sorte ao longo da minha jornada profissional até aqui, por passar por empresas e pessoas que me acolheram e me ensinaram muito ao longo dos anos. Logo na faculdade eu cocriei um grupo de extensão voltado para mulheres na TI chamado Program.ada. Essa experiência desenvolveu bastante minha comunicação e também cresceu em mim a cada vez mais necessidade de tomar ações voltadas para mulheres na área. Com isso em mente eu tive o privilégio de entrar em um programa de estágio voltado para mulheres na empresa DbServer (atual DB) onde tive um aprendizado técnico exponencial em engenharia de software, que me possibilitou sair da empresa já atuando como desenvolvedora júnior. Trabalhar na ThoughtWorks foi um grande sonho realizado pra mim pela empresa ter um alinhamento com as causas sociais que eu acredito.
Durante os anos atuando desde consultora júnior até como “uma liderança informal do time técnico” dentro da empresa aprendi muito sobre tomar as rédeas das minhas decisões profissionais e ser protagonista da minha própria carreira.
Cada um de nós tem a sua jornada, com as suas necessidades e prioridades. Só eu sei as minhas, portanto quem tem que dar o direcionamento de onde quero ir e estar sou eu, e além disso está tudo bem se a minha jornada for diferente dos demais.
Hoje atuando como desenvolvedora sênior na ADP carrego comigo um pouco de cada experiência que tive. Ocupar essa posição no mercado de trabalho, principalmente com a expansão do pensamento voltado para GenAI, vejo ainda mais a necessidade de reforçar meus conhecimentos técnicos, de entender quem eu sou, quem eu quero ser profissionalmente e acima de tudo como alinhar minha carreira profissional com os meus valores pessoais.



