
Existem dois momentos nos quais mulheres em tecnologia e inovação enfrentam mais dificuldades: o primeiro é ao ingressar no mercado, em busca da primeira oportunidade — seja em uma transição de carreira ou não; o segundo é na ascensão a cargos de liderança, como coordenação, gerência ou diretoria.
Em 2023, as mulheres ocupavam 38% dos cargos de liderança no Brasil, mas apenas 28% das posições de diretoria e C-level. Apesar de representarem 43% da força de trabalho, ainda estão sub-representadas em cargos de gestão — embora sejam consideradas melhores gestoras, mais populares e mais confiáveis, segundo colaboradores.
Esses números podem até nos desanimar e fazer pensar que o caminho ainda é longo (e é mesmo), mas seguimos avançando e trabalhando para que essa realidade se transforme e o panorama seja mais igualitário. E, como só sonhamos com o que vemos, nas próximas semanas nossa newsletter trará entrevistas com mulheres líderes em tecnologia e inovação que atuam em grandes empresas no Brasil, para que possamos nos inspirar, buscar fôlego e continuar avançando rumo a esse lugar.
Iniciando a série de entrevistas com líderes no Encontro de Mulheres e Carreira em Tecnologia, conversamos com Thaís Juncá, da Globo. Ela é analista de sistemas, graduada pela Universidade Católica de Petrópolis, tem 44 anos e atua há 23 anos na área de tecnologia, entregando soluções que agregam valor a grandes empresas. Atualmente, lidera uma equipe de aproximadamente 60 pessoas e entende que times de sucesso são construídos por meio de conexões genuínas. Sua mais recente formação foi voltada para liderança organizacional na Harvard Business School. Desde 2010, ela exerce um dos papéis mais importantes de sua vida: ser mãe da Fernanda.
Trajetória e Desafios
Como foi sua trajetória desde o início da sua carreira até alcançar posições de liderança, como Head of IT na Globo? Quais foram os principais desafios que enfrentou ao longo dessa jornada?
Eu tenho 44 anos, entrei na faculdade com 17 e me formei com 21. Fiz faculdade de Ciência da Computação, e minha pós-graduação e MBA foram voltados para gestão de projetos e liderança de pessoas. Tenho 24 anos de carreira. Iniciei desenvolvendo soluções em uma consultoria e, depois, senti vontade de “trocar de lugar”. Quando você está numa consultoria, tem aquele olhar de entender o problema e se colocar no lugar do cliente para trazer a melhor solução. Mas, quando você está entregando soluções para sua própria empresa, essa vontade se potencializa. Então, fui trabalhar “do outro lado da cadeira”, não mais como consultora, mas como líder de projetos na Vale.



