
Raquel Belém discute os desafios das mulheres em vendas B2B, a importância da WoMakersCode na liderança feminina e a intersecção crucial entre protagonismo profissional e igualdade racial.

Nesta semana, não apenas celebramos o Dia da Mulher, mas também destacamos a voz e a resiliência das mulheres que desafiam os estereótipos, impulsionando transformações significativas. É essencial não só comemorar conquistas notáveis, mas também reconhecer os desafios superados, destacando a extraordinária força que as mulheres incorporam em suas vidas diárias. Neste dia especial, prestamos homenagem não apenas às realizações, mas também à persistência e à determinação que moldam a jornada única de cada mulher.
E para falar sobre o tema, trouxemos Raquel Belém, uma Executiva Comercial Sênior com mais de 15 anos de experiência. Além de sua atuação destacada na área de vendas B2B, também atua como conselheira consultiva na ONG WoMakersCode, onde contribui para a liderança feminina na tecnologia, como mentora e palestrante. Suas experiências e reflexões revelam desafios enfrentados pelas mulheres no mercado de trabalho, bem como o papel essencial de comunidades diversificadas e inclusivas.
Neste artigo Raquel compartilhou conosco sua visão sobre as desigualdades enfrentadas pelas mulheres no mundo do trabalho, liderança e carreira.
Ao abordar a realidade do mercado de trabalho na área de vendas B2B, Raquel compartilha suas experiências, revelando que as mulheres continuam a enfrentar a desconfiança constante sobre seu conhecimento, mesmo em posições de liderança. Ela destaca a persistente necessidade de provar a capacidade, uma luta que, infelizmente, muitas mulheres enfrentam independentemente de sua posição.
“A área de vendas B2B ainda é dominada por homens, tanto na posição de vendedores quanto de compradores. Os principais desafios enfrentados pelas mulheres, independente de estarem ou não na liderança, é que nosso conhecimento sempre é posto em dúvida. Precisamos provar o tempo todo nossa capacidade. Além disso, ainda somos muito avaliadas por nossa aparência, o que exige uma preocupação constante com roupas, cabelo e maquiagem.”
Em sua posição como conselheira consultiva da ONG WoMakersCode, Raquel desempenha um papel ativo em iniciativas dedicadas à liderança feminina. Essas ações, segundo ela, desempenham um papel muito importante na desconstrução de estereótipos de gênero e na promoção da igualdade nas organizações.
"Quanto mais mulheres capacitadas ocupando posições de liderança, mais amplas se tornam as possibilidades", afirma Raquel. A missão da ONG reflete essa visão, concentrando-se em fornecer conhecimentos abrangentes, tanto em habilidades técnicas quanto comportamentais, para que outras mulheres possam acelerar suas trajetórias profissionais.
“Costumo dizer que sorte é quando a preparação encontra a oportunidade. O avanço acontecerá a passos cada vez mais largos sempre que estivermos preparadas para agarrar as oportunidades.” Afirma Raquel.
Raquel aborda a minoria das mulheres na área de tecnologia e como as comunidades, como a WoMakersCode, desempenham um papel vital em superar esses desafios.
“As mulheres ainda são minoria na área de tecnologia, pois até pouco tempo atrás esta era uma profissão tida como masculina. Como as empresas estão acostumadas a ter homens nestas posições, existe o viés inconsciente de que os homens possuem maior capacidade. Fora o fato de que a maior parte das vagas são para profissionais de maior senioridade e a maioria das mulheres, por terem ingressado depois na área, ainda buscam posições de entrada. Ter comunidades e iniciativas que oferecem para as mulheres capacitação técnica, networking e, acima de tudo, conexão com as empresas contratantes é a melhor forma de superar tais desafios.”
Na busca por compreender a intrínseca relação entre protagonismo e igualdade racial, Raquel Belem responde de maneira impactante à pergunta sobre como esses dois temas estão interligados e de que forma as organizações podem promover uma abordagem mais inclusiva e equitativa. Ela ressalta que as profissionais negras, ao adentrarem o cenário corporativo, confrontam um ambiente onde o racismo se manifesta de maneiras sutis e evidentes. Ao serem frequentemente os únicos membros negros em suas equipes, muitas vezes oriundos de origens socioeconômicas desfavorecidas, enfrentam diversas formas de exclusão que acarretam sérios impactos em sua saúde mental.
“Todos nós somos racistas, pois crescemos e fomos criados em uma sociedade racista. E isso não muda do dia para a noite, ao mesmo tempo em que gera impactos profundos em profissionais negros que chegam ao corporativo, pois costumam ser os únicos negros de suas equipes, muitas vezes os únicos de origem pobre e passam por diversas situações de exclusão que afetam sua saúde mental. Tudo isso reduz a confiança que o profissional tem em si mesmo e a vontade de ser protagonista de sua própria história acaba sendo deixada de lado, mesmo que de forma não intencional.”
Segundo o relatório Women in the workplace, da McKinsey & Company, as mulheres negras em estágios iniciais de carreira enfrentam desafios persistentes na progressão profissional. Apesar de uma breve melhoria em 2020 e 2021, onde a taxa de promoção atingiu seu auge de 96 mulheres negras promovidas para cada 100 homens, houve uma queda significativa em 2023, retornando aos níveis de 2018, com apenas 54 mulheres negras promovidas para cada 100 homens. [Acesse o relatório completo]

Enquanto as empresas buscam aumentar modestamente a representatividade feminina nos níveis mais altos, esse esforço pode ser apenas uma solução temporária se não houver correção das desigualdades nas primeiras promoções. Devido à disparidade de gênero nesse estágio, os homens acabam ocupando 60% dos cargos de gerência em uma empresa típica, enquanto as mulheres ocupam apenas 40%. Essa desigualdade inicial resulta em menos mulheres sendo promovidas para cargos de alta gestão, contribuindo para uma diminuição contínua da presença feminina em todos os níveis subsequentes da hierarquia corporativa.
Ao abordar a questão, Raquel destaca que a promoção do protagonismo e igualdade racial não deve ser uma resposta apenas às expectativas sociais ou ao cumprimento de cotas de diversidade e inclusão. Em vez disso, as organizações devem capacitar esses profissionais para ocupar as posições que desejam e merecem, baseando-se em suas habilidades e méritos genuínos.
Tendo iniciado como um grupo de estudos, a WoMakersCode evoluiu para a maior comunidade de mulheres na área tech da América Latina. Em 2023, distribuímos com orgulho 6029 bolsas de estudos, lançamos o programa de embaixadoras universitárias, fomos honradas com prêmios como o de Igualdade Racial da Prefeitura de São Paulo, o Prêmio Nelson Mandela da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, e o prestigioso Selo Municipal de Direitos Humanos e Diversidade…
Mas nossa jornada não se resume a números e troféus: é uma narrativa construída por mulheres extraordinárias assim como a Raquel. E quando se trata da busca pela independência e controle de suas próprias jornadas profissionais, Raquel oferece um lema poderoso: "Você não precisa estar pronta, você só precisa ter coragem". Essa mensagem ressoa como um convite para que as mulheres ousem, mesmo em face da incerteza, confiando em sua própria resiliência e força.
Neste mês da Mulher, expressamos nossa gratidão a Raquel e a todas as mulheres extraordinárias que, como ela, estão moldando o futuro com coragem, determinação e resiliência. Em suas palavras finais, Raquel nos lembra: "Não deixe o medo e a ansiedade te fazerem esquecer o quão incrível você é". Que estas palavras ecoem como um lembrete constante do potencial ilimitado que todas as mulheres carregam consigo.

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